Uma Tarde Sangrenta nas Montanhas – teaser PT.3

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“Sexta-feira lá é dia de jogo, porra?”

“Quando o time finalmente ta indo bem no Brasileirão, me arrumam essa merda de jogo na sexta”. E Samuel ta sobrecarregado, dor na panturrilha há várias semanas. Não contou ao treinador. Samuel já não é mais um moleque. Não queria perder espaço no time titular. E esse escrete precisa de um bom beque, seguro e rodado. Samuel Dragão.

“Para de viajar Samuca! Segunda bola que esse lateral te manda nas costas! Fica coelho, caralho!” Esquerdinha estava tenso. Segunda fase de um campeonato sul-americano (e nem era o mais importante) e o time todo tava com os nervos em polvorosa. A equipe adversária, um bando de bolivianos, correndo como se o salário tivesse guardado dentro da merda do couro da bola. Pareciam aqueles imbecis que vendem CDs de música brega, tocadas naquelas flautas incas. Ou qualquer coisa do tipo.

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O meia boliviano (ou uruguaio), metido a driblador tentava passar por Samuca pela terceira vez, sempre com o mesmo drible pra esquerda. Dessa vez conseguiu, e ficou na cara de Marcos, o goleiro. Mineirão lotado emudece. Samuel já sente o prenúncio das vaias. Um leve toque na bola, visando encobrir o arqueiro que está adiantado. Marcos milagrosamente cresce, se expande, joga a bola pra escanteio. Profundo alívio no peito pernambucano de Samuel.

Macaquito – ri dengosamente o diminuto camisa 10 sul-americano. Encrespa-se de raiva o maciço zagueiro negro. Samuel jura vingança à ‘Orozimbo’ (nome de viadinho”). Na próxima dividida acabará com ele. 6 semanas sem jogar, assim espera.

Samuel não atendeu ao telefone o dia inteiro, por mais que Jussara (a patroa) tivesse insistido. Concentração é coisa séria mulher”! Tampouco Samuel se permite prestar atenção nas arquibancadas. Parece que tá tendo uma briga cabulosa. A PM ta sentando o malho, e até mesmo caiu um maluco, lá do 7A há pouco.

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O juiz interrompeu a partida. Finalmente autoriza a cobrança do escanteio. Samuel encara Orozimbo, que se projeta ao ar com elegância, seus olhos fixos na bola. Samuel prepara uma cama de gato para o meio campista, que vê a bola ir, ir, ir… a cabeceia, testada pra baixo, indefensável, balança as redes. Em câmera lenta, Orozimbo caí de mau-jeito sobre o corpanzil de Samuel e despenca como uma boneca de pano em cima do próprio braço, num ângulo inatural. Inerte. Mineirão emudece.

~ por cafasorridente em agosto 31, 2009.

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