Oh irmã (ou: Meu pequeno Adão e Eva)

milo manara, les femmes de manara

Oh irmã, quando você quiser repousar em meus braços, não me trate como a um estranho. Deus sabe o quanto significa isso pra mim. Estar próximo o suficiente para poder sentir seu cheiro. Cada particularidade de seu rosto. Cada imperfeição. Aquela curva, aquela ruga. E como cada vez que te tenho aqui, é impar. Então, não me faça isso. Não me trate como a um estranho.

La Saveur des Larmes, 1948

Nosso pai pode estranhar o modo como você age. Não podemos dar na vista. Nosso amor causa inveja. Sentimos ojeriza ante a felicidade alheia. Não podemos nos dar ao luxo de ostentar felicidade. Nossa cumplicidade. É preciso manter a bandeira baixa. “Vocês se amam?” Não. Não trate o que temos com descaso. É importante que tú tenhas em mente o perigo que corremos.

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Responda-me irmã: Eu não sou um irmão para ti? E um irmão merecedor de afeto? Nosso propósito não é o mesmo aqui nessa terra? Amar e seguir a direção Dele? Do berço ao túmulo, mãos dadas. Somente nossos olhos, portões do interno, não devem se fitar. Eu não posso saber o que esconde aí. É o portão do desamor. Posso te pedir em dado momento: “Me desenha um carneiro?” Nesse instante de fraqueza, você deve ser dura. Nega-me. Mas não solta minha mão. É importante que você a segure, por toda a caminhada.

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Morrendo e achando que você finalmente me foi perdida, eu renasço em outrem. E te reencontro num canto que jamais sonhei. “Dessa vez acabou. Troquei meu violão num naco de pão, estou terminalmente triste e só”. Misteriosamente salvo, sinto o mesmo cheiro, a mesma volúpia, a mesma vontade de te penetrar novamente. Estar dentro de ti. Dentro de mim. A mesma coisa que senti, dentro do mar, naquela tarde demorada na Bahia. O infinito não tinha me sido proibido?

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Então irmã, quando eu vier bater em sua porta não me de as costas, dessa maneira você criará tristeza. Verdade que o tempo é um oceano, mas ele acaba na orla. E pode ser que você não me veja amanhã. Em verdade lhe digo que vai chegar um dia, em que você não me verá mais amanhã. Você não me verá mais, amanhã.

Leandro Chianetta - sciontphono.com

~ por cafasorridente em setembro 1, 2009.

2 Respostas to “Oh irmã (ou: Meu pequeno Adão e Eva)”

  1. que transa hein?!
    boa semana por aê.
    abraço

  2. n sei s mem bocõs looooooooooooooooooooool

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