Adelaide – Parte 2

va_caravaggio.homem.renascenca_a_z

 

Passou a receber Adelaide em casa quase todos os dias. A amiguinha de Ana morava longe. Mas diariamente estava no quarto da filha. Se bem que… Amiguinha? Adelaide já tinha o corpo bem formado, no alto de seus quinze anos. “Se as meninas já menstruavam com doze anos na minha época… essa ai deve ter dito a menarca com sete meses”.

A cintura de uma sílfide. A bunda maçãzinha. Os pelos da perna, de um loiro imoral. E a coxa vital, forte, graciosa. Leve. Seios. Duros. Redondos. Fácil imaginar aqueles mamilos. Rosas. Tem de serem rosas. A barriga chapada, que talvez os anos maltratassem. Quiçá, a má alimentação e o sedentarismo lhe afofem. Mas não. Assim, ainda é linda.

E o rosto? Bem o rosto de Adelaide merece um novo parágrafo. A bochecha com aquela covinha protuberante. Poderia ser chamada de bochechuda. Mas preferia dizê-la: (internamente é claro) ‘divina’. A covinha única no lado direito. A pele (branca, mas sem exageros) aveludada. Pequena cicatriz no pescoço, um convite a um chupão. Os olhos vivos, malignos, verdes. E ‘Ade’ (o modo como Ana sempre a chamava) tinha aquele cabelo que sempre foi sua fissura. Adelaide era ruiva natural. De cor quase laranja. Ruiva mechas encaracoladas. E a pele com sardas. Puta merda. Morreria metendo naquela garota.

01-pn-lmv-2008-021-b

Estava numa obsessão tão grande por aquela menina que não o incomodava nem o sotaque paulistano insuportável da adolescente. Ele era santista, mas não aguentava o sotaque de seu estado natal – que perderá a custa de vinte e cinco anos de muito esforço. Mas em Adelaide aquela mania de terminar em ‘aaaaannnnnn’ as palavras e usar o gerúndio como filosofia de vida, lhe tornava ainda mais sensual. O ‘paulistismo’  em Adelaide era um espartilho fonético.

E nessa toada, acompanhava Adelaide e Ana caminhando do quarto para a cozinha. Da cozinha para o quarto. Pequenos segundos, de esguelha de olho que eram o grande momento de seu dia. A moça sempre de vestidinho.

Certa vez chegou encharcada pela chuva, em seu apartamento. Na mesma tarde, Ana comentou o quanto as duas jovens se aproximaram nos últimos meses. Internamente, pensou ser a causa dessa aproximação. “Está apaixonada por mim, a ninfetola!”. Massageando esse pensamento, abriu a porta: Quase infarta. Sua ponte de safena por pouco não rebenta. Vestindo um leve fru fru branco, Adelaide estava tão molhada, que praticamente estava nua. Gotas do temporal desciam em seu colo. Os bicos do seio pronunciavam-se por trás do sutiã.

        O seu Rani, deixa eu entrar? To pura água.

–        Entra minha filha. Ana tá no quarto.

Imediatamente mete dois tridents (de morango) na boca. Começa a mascar em profunda fúria. Queria ser o vestido. Queria ser o chiclete. Queria ser a curva da nádega de Adelaide. Mas mais que tudo, queria ser a chuva, que gripava a mocinha.

No quarto ao lado, Adelaide, flor de sua obsessão – espirra.

1067117

~ por cafasorridente em agosto 7, 2013.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: