Pirataria

jn

 

 

E na televisão se ouve, lá do outro cômodo ;

– Vamos aos ingredientes:

 

Já no computador, se ouve o que quer. Mas na realidade, sabemos que não é bem assim.

“Mando um beijo na alma do azeião, que é meu irmão”.

 

Mentira. Mentira. Mentira.

“Eu tenho nada contra quem assume!”

 

Dá a impressão de realidade – que toda verdade pode e será construída. Por nós. Nos outros. Mentira. É o tal de livre arbítrio. Tenho duas palavras sobre o livro arbítrio.

 

Mentira,

Mentira.

 

Falo tudo sobre isso (mentira), ou alias, falo tudo isso, para falar sobre a livre circulação de cultura. Sobre a liberdade que o piratismo, ou pirataria, ou creative comuns, ou o nome que você quiser chamar – confere. Mentira.

 

Claro que sim: Dá se mais liberdade. Que será tardia. Mais sim: Podemos bater um pouco no porco velho gordo e escaldado capital. Capital. Que eu gosto de chamar de ‘poder nômade’. E o Carlos Marx chamava lá de capitalismo. Dá pra bater sim. Mas dá pra apanhar. Muito. Bate ele. O gesto de baixar um filme, baixar um disco, considero, um gesto político. De espasmo diante de um remoto controle.

 

Aí, quando eu era mais novo tinha as coisa dos conceitos. Tinha um deles que falava na ‘iconofagia’. Que é o conceito do poder dominante de usar o argumento contra poder dominante (assim mesmo, repetitivo) e usar como produto. Coisa de colocar o rosto do Che Guevara num biquíni da top model. Usar o rap como produto – hip hop. Ripi Rópi. Hopi Hari.

 

O tempo vai mudando e vou ficando com mais cacoetes. Entendi que não tem o que fazer. O espasmo vai virando uma reação a febre. Febre de dor, temperatura alta, desistência. Lembrança.

 

Sigo baixando. Sigamos baixando. O nível.

 

Tem um clube, lá onde nasci, com o nome dos fundadores escrito numa placa do hall de entrada. Imigrantes. Verdade nisso. Do passado. Tem o nome dos meus avós, dos meus bisavós. E no inicio da linha temporal, começa ‘Homus (cidade, lá da Arábia) fundada em 2300 antes de cristo’.

foto2_pintura_do_grande-_lider_e_seus_felizes_suditos

Tudo é antes de Cristo. Ou depois do próximo Cristo. Acho um detalhe bonito do Francisco de Assis a humildade. Saber por A + B que não somos os criadores do mundo, criadores da realidade. Porque a realidade é conhecida e re co nhe Cida a cada momento que abrimos os olhos.

 

O que acontece se fecharmos os olhos para sempre? Vai ter um momento em que vamos fechar os olhos para sempre? E aí?

 

Será que vai ser como naquela parábola budista? Caiu-se uma arvore na floresta e ninguém ouve o barulho do tronco caindo no chão? Sendo assim, a arvore caiu mesmo?

 

(enquanto isso, na televisão, o Bira ri. Ri a beça).

 

Gosto de acreditar que sim. Que a arvore caiu.

 

Mas como eu vou saber? Eu não estou lá. A realidade está sendo construída. Antes, durante e depois de existir a gente.

 

Então ta. Estamos nos apropriando do conhecimento, da criação do outro. Quero acreditar que essa construção é conjunta. Que é fidedigno meu direito de apropriação. Ma(i)s como me apropriar de algo que nunca será meu? Que nunca foi nosso. Porque não é de ninguém.

 

Hommus. Fundada em 2300.

 

Antes de Cristo.

 

Antes.

 

De.

 

Cristo.

 

 

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~ por cafasorridente em novembro 20, 2013.

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