Apresentação Graveola – 07/12/13

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Com licença, meu nome é Luciano, e antes da apresentação musical desta noite, eu queria lhe pedir a atenção para falar umas poucas palavras. Fruto de algumas mal traçadas linhas, que escrevi. Eu nunca sei a concordância correta desta frase. “Mal traçadas linhas”.

Linhas essas que irão tratar de minha perspectiva, enquanto público. Pode ser chato ouvir uma primeira pessoa – primeiro pessoando. Mas vamos lá, correr o risco. Além disso, o bocejo é livre.

Esse momento, essa gota de realidade que estamos vivendo agora, que já está passando, é o resultado de um desencadeamento de outros eventos passados. Eu só vim aqui porque meu caminho levou a isso. Você só está sentado ao lado da pessoa que está ao seu lado – porque vocês se conheceram numa determinada tarde chuvosa como essa, ou talvez quente como o inferno. Quiçá, você esteja conhecendo o amor de sua vida agora. Três fileiras abaixo de onde tu está sentado. Ali. Um pouco mais pra direita. Viu? Achou!

Um dos primeiros shows que eu me lembro de ter assistido do Graveola também foi num teatro. Na realidade foi na sede do Tucá. Lá na rua Carangola. Que eu não sei por que, eu sempre confundo com a rua Grão Mogol. Não a rua em si. Eu confundo o nome delas.

Esse show foi em que? 2007? 2006? A memória me traí. Amante infiel, a memória. Formação da banda era outra. Minha formação de alma era outra. Lembro-me que no inicio do ano seguinte, fui noutro show do Graveola. Também, num teatro. Aquele do Parque Municipal. Francisco Nunes? Me lembro da sensação. De imagens, flashes. Fotogramas mentais. Lembro que fiquei com uma música na cabeça. ‘Chico Buarque vai a Copa de 2006’.

Como você, leitor já pode ter percebido, não estou aqui para falar de música. Estou aqui para falar de memória. E impossível não perceber neste instante aqui, o acumulo de todo um processo histórico de retomada do espaço urbano, da cidade de belo horizonte. Que essa turminha do barulho aqui é pilar, protagonista. Carnaval, Praia da Estação, Espaço Comum, a jornada de junho… o sol, o concreto… em vilipendiação de regras absurdas. Que eu quero dizer com isso é: contestação do que não está correto. Do que achamos errado. Não está certo. Não passará. Não esqueceremos!

Estou longe de ser porta voz de qualquer movimento. As vezes, inclusive sou muito cínico. Mas me sinto sim, no direito de vir aqui e falar para e com vocês. Porque a banda é protagonista. Mas você também é protagonista. Quantos e quantos protagonistas eu vejo de cá. Protagonista de nosso enredo pessoal.

O primeiro show que eu vi do Graveola foi num teatro. Hoje está chovendo. Vou ver outro show do Graveola num teatro. Lindo esse teatro. Lindo estar aqui. Que bom, que bom, que bom ser contemporâneo seu.

Nós somos os filhos do meio da história, e nosso tempo é sensacional.

É bom a gente aproveitar. Que essa noite nunca mais vai se repetir. Mas ‘nunca mais’ é só outro jeito de dizer ‘para sempre’.

Obrigado. Boa noite.

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~ por cafasorridente em dezembro 8, 2013.

Uma resposta to “Apresentação Graveola – 07/12/13”

  1. que lindo cafa! lindo lindo

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