Meus últimos dias – ou Karinho Parte 1

•fevereiro 2, 2010 • 1 Comentário

Você sábia que se esse texto não esta dando leitura, você pode teclar Ctrl + '+'? Ou arrumar uns óculos?

Fiquei sem internet nos ultimos dias o que ocupou demais a mim de outras funçoes que queria realizar mas as vezes pensava que eram menos importantes que ficar conectado ao mundo atraves dessa superficie telematica que tenho a minha frente justamente agora e em tantos outros momentos de minha vida.penso que e muito interessantes a capacidade desse amontoado de transistores e chips de me entreter nesse intanste ouço musica e brinco de nao pontuar a frase. sera que da pra entender?

de toda maneira, fui dar uma nadada e dei uma lida. amanha vou me concentrar na escrita. mas cheguei em casa agora e comi um panetone com leite. Karinho. olha só:

Pois bem. Voltando ao normal, achei esse copinho de leite durante a madrugada uma delicia. Outrossim, tive uma idéia completamente diferente. Lembrei dum sitio que gostava as pampas no começo da década passada. O falecido www.cocadaboa.com Na estrutura da page,  existia uma secção fixa, que propunha trotes ficticíos em S.A.C de empresas. O grosso era sem graça – pero alguns eram engraçados.

Volta e meia, decidi escrever um mail pro s.a.c da carinho. O que me motivou mesmo foi o endereço: karinho@karinho.com.br

Você sabia que eu apareço na primeira página do google quando buscas o termo "duvida"?

Segue o texto do mail:

Olá

Sou um homem muito solitário e gosto muito de tomar leite. Motivado pelo nome de vossa marca> “Karinho” > imagino se alguém aí quer ser meu amigo.

grato

Aproximadamente o mail que enviei

E agora? O que sera que vai acontecer? Trote. do mais baixo. Coisa que se faz só na hora que até a coruja tá dormindo.

Crack – Botaram tanto lixo, botaram tanta fumaça

•janeiro 25, 2010 • 1 Comentário

Então, raramente eu sou obrigado a dar o braço a torcer e admitir que o sistema tá certo. Álias, muito raramente – agora inclusive que to com a mania do Disturbio Eletronico de chamar o capital e tudo mais de ‘Poder Nomade’ estou mais contra contra cultura do que nunca. É a máxima do Asger Jorn ‘A vanguarda nunca desiste’. Primeira parada que penso seriamente em tatuar.

Tá. Mas então, é impressionante como eu estou ouvindo falar no tal do crack. O cocaínomano é a nova virgem! O diabo é a pedra. E falo isso sem ironia. O governo devia fazer campanha incentivando o uso de pó. Antes isso do que o crack. Foi-se o tempo que a maconha devia ser temida! Ganja para o povo!

(Bateu pouco preciosimo literário. No começo desse brogue eu usava mais esse fluxo de consciencia livre para escrever. Depois é que eu fui ficando mais marrento. Seguro o backspace e utilizo muito o delete. Mas deixe-mos solto. Pelo menos por enquanto. Preciso voltar a escrever quite a lot. Pegar ritmo de jogo. Então, solto a pena.)

E porque defendo o governo no primeiro parágrafo deste post? Porque o estado brasileiro começa (tardiamente) a combater publicamente a disseminação da droga do diabo na sociedade. Societas quae sera tamen. E dá-lhe propaganda contra a pedra. E ainda é pouco.

A falange grega se organizava assim. Depois os romanos copiaram a estratégia e conquistaram uma caralhada de povos.

Eu estava agora na Bahia, e um broder foi de Trancoso até Caraíva a pé, pela praia. Fez o translado em uns dois dias. E foi dormindo nas comunidades ribeirinhas. Diz ele que os indíos tão agarrados no crack. Vê só: Os indíos pataxós tão chamando incessantemente na cachimbeira.

Ano passado eu trabalhava em Catas Altas, encostado na Serra do Caraça. Lindo lugar. E lá, no quadrilatero ferrifero, onde a Vale fode e acontece, os mineiros estão botando fogo na latinha. Fumando pedra até fuder o bico. Chato demais.

É isso. A urbe, a paulicéia, a metrópole sem rosto e sem cor já tá fudida a muito tempo. Não é nenhum rousseaunismo tardio, mas dói ver o interior sendo carcomido por mais esse mau pós-moderno. Tome  cuidado ao adentrar nas pequenas cidades. Hordas banguelas e macerrimas estão prontas para lhe fazer mal, buscando sustentar o ignobil vicio.

Dance to a song that was a hit before your mother was born.

Esse papo já me chateou. Já dizia o Tom Zé ‘bate dói – dói’. Deixemos nossas crianças longe do crack, droga que já vitimou Amy Winehouse, Whitney Houston e aquele moço que cantava La Bamba. E não tem mais piada aqui hoje. Nem uma boa conclusão textual.

'Eu meti uma bala na cara, de tanto me fuder de droga'.

Tava lembrando de um trecho dum livro

•janeiro 18, 2010 • Deixe um comentário

To com um trecho do 1984 que não me saí da cabeça há dias. Vê só:

Quando o Smith se apaixona pela Sônia (que na realidade tem outro nome, Sônia é a do Rashkolnikov – saberia o nome da personagem facilmente consultando minha estante ou o google, mas deixemos Sônia mesmo) eles começam a trepar loucamente pelos campos ingleses, fica aquela sensação do sexo como catarse – como única instância libertária para aqueles pobres personagens viventes no regime do Grande Irmão.

Pois bem. Eles estão na putaria nervosa – e o Smith começa a revelar a Sônia sua vontade de adentrar na sociedade secreta que busca suplantar o sistema. E nessa ele se perde em intermináveis discussões com ela – que não compartilha o entusiasmo de Smith. Ela quer é mesmo sacanagem.

Smith após uma bela foda, acende um mata-ratos, suspira e dá uma longa baforada. Após a pausa dramática, olha Sônia e lhe diz:

- É Sônia, tú é bem rebelde. Mas só da cintura pra baixo.

Nada errado com ser rebelde só da cintura pra baixo. Pelo contrário, o que me agonia é que eu sou muito terrorista poético, ativista da contra contra cultura, bla bla bla – mas me venderia por qualquer 10 mil réis.

Ou não.

Todavia, vou começar em breve meu projeto de conclusão da pós, que busca a construção de ruídos, o fomento de zonas autonomas temporárias e questionar severamente algumas paradas. Ano de eleição, sociedade do espetáculo falida.  Só espero estar preparado.

Mas senão, sempre poderei ser rebelde da cintura pra baixo – e continuar me travestindo de doidão.

Mais um, menos um

•dezembro 27, 2009 • Deixe um comentário

Mais um ano que se termina. Em si mesmo. Em cárater cíclico.

E mais uma década. Já estou indo pra minha quarta. 80s – 90s – 00s e os 10s.

Encerro esses 365 dias mais satisfeito no pessoal, profissional, acadêmico, famístico e mulherenguistico.

Várias modificações aqui nesse espaço virtual.

Parei de assistir filme feito em Hollywood.

Passei a ouvir muitos mais discos.

Agora, vou pra Bahia, voltar com várias fitinhas do Senhor do Bonfim, uma xistose, uma barraca zoada além dum lindo bronzeado.

Então, abraços. Tinha muito mais coisa que eu precisava te contar. Mas já não é a hora.

Boa Noite Brasil.

Manuscrito

•dezembro 26, 2009 • Deixe um comentário

Recentemente encontrei um manuscrito num local que não me lembro. Decido aqui transcreve-lô, sem nenhuma correção.

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No ano de 2040 o doutor Diogo Manteiga descobriu com a ajuda e sua jovem equipe de cientistas, um pequeno planeta há vários anos-luz da Terra, aonde viam um riquíssimo ecossistema com vegetação, rios e animais entre eles um incrivelmente parecido com os homens daqui. Eram como pessoas primitivas que viviam em grupos menos complexos que a enorme sociedade humana. Viviam de vegetais que cultivavam e estavam em evidente processo de evolução técnica / tecnológica.

Por muitos anos pudemos apenas observá-los. Mas no ano de 2151 a Terra enviaria sua primeira missão com o objetivo de conhecer mais detalhadamente os irmãos distantes…

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Pessoalmente, eu não gostei. Mas adoro a música ‘Sapo Cururu’ do Jorge Mautner.

Vou explicar pela última vez:

•dezembro 21, 2009 • Deixe um comentário

RA

M

BAUD

não é

RI

m

BAUD

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(tampouco…)

Édouard Manet

é

Claude Monet

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entendeu?

As vezes – A justiça é como um falcão

•dezembro 9, 2009 • Deixe um comentário

espeto broder

espeto de pão de alho

ser

vamos lá, começando de novo

e como seria o aposentório?

e como seria o aposentório?

fico pensando na vida da aposentadoria

mas nada disso importa uma hora, ou outra

Monstro Carlton

•novembro 29, 2009 • 1 Comentário

Esse monstro tem me consumido.

CREDITOS: MONGOTECA

Pensei que um dia eu ia te deixar, te deixar pra trás – Parte 1

•novembro 23, 2009 • 3 Comentários

ESTA NA HORÁ DE DESENHAR UMA CURVA RUMO A ANTIMELANCOLIA.

Trabalhavam frente á frente. O rapaz no escritório, a velhinha na banca de jornal. Ele, um latagão – com peitoral de havaiano de filme, bronzeado como um surfista carioca. De uma saúde e opulência ofensiva aos franzinos do mundo. Ela, uma senhora com seus sessenta e tantos. Com a antipatia gerada pelas décadas de decepção e desamor.

E não sei por que razão, aquele homem (que chamava Astolfo) que poderia escolher a mulher que quisesse, encantou-se pela muchibenta vovó. Nem para dizer, ‘é uma senhorinha ajeitada’ ou ‘ela é inteligente e simpática’ ou ainda ‘lembra um carinho de Vó Benta’. Nada disso – a velhota era uma bruxa.  Nata e hereditária.

E Adélia (chamava Adélia, nome de irmã ou de antepassada) começou a estranhar a presença sempre presente de Astolfo. Comprava paçoca, debatia o conteúdo dos jornais diários, se interessava por livros de bolso do Kardecismo… Como última alternativa a febril necessidade de estar perto de Adélia, deu pra fumar – simplesmente para ir buscar um ‘picado’ na banca. Ia dez vezes por dia, falava ‘Dona Adélia, vê um Hollywood?’ E ela: ‘Compra um maço na padaria, porra! Deixa de amolar!’

Confidenciava com os amigos: ‘Essa mulher me mata! Essa ainda me enlouquece! Me trata feito merda. Me ignora sistematicamente! Eu sou homem e não admito. Ainda meto uma bala nessa cara!’ Perguntavam: – de quem você tá falando Astolfo? É da gostosinha do 803? É da boqueteira que faz Fisioterapia? É aquela ex-namorada que te trocou por aquele truta espanhol?’

Morto de vergonha, Astolfo admitia:

- É da velhinha que tem uma banca de jornal. Na porta do meu serviço. Merda de vida.

O mundo irrompia em risadas. E aquilo, que começou como um capricho, uma vontade sem vinculo com a realidade, passou a tomar a vida de Astolfo de assalto. Uma obsessão que dominava sua cabeça, noite e dia. Guardava os pequenos gestos, os pequenos olhares de Adélia durante o longo intervalo que era sua noite mal dormida. Acordava ressaqueado. Deu pra chegar tarde em casa, fedendo a uísque barato e perfume de damas da noite.

Sua mãe, pobre viúva, cardíaca e solitária, entrava em pânico diante da auto-destruição daquele filho único, tão amado e mimado.

- Quem é a sirigaita filho? Quem é essa vaca que ta fodendo com sua vida? Mulher é mato meu filho. Mulher é mato!

- Me deixa mãe. Me deixa! Mulher chata!

Estava decidido a declarar-se naquela manhã para Adélia. Qualquer que fosse o resultado, pelo menos iria se livrar daquela loucura inefável que lhe dominava. Vestiu seu melhor sorriso, penteou o bigode, se perfumou de loção pós-barba e foi.

A propósito de puxar assunto, ia pedir o isqueiro para Adélia (que ficava em cima do Jornal Super). Encontrou-a de vestido lilás, óculos preso com cordinha na orelha, e uma cara de mau-humor que até hoje não foi superada na história da raça humana.

-Adélia, te amo, não posso viver sem ti. To pirando. Pirando. Preciso de você pra ontem. Não me repudia, por que não posso conviver com essa repulsa. Posso te fazer feliz mais do que você pode sonhar.

E falou assim mesmo, de supetão. Pensou que o susto ia ser a melhor forma de conquistar a idosa comerciante de jornais. Essa, porém, arqueia a sobrancelha, e devota o seu melhor desprezo, que vinha acalentando há décadas (ou posso dizer, séculos?)

- Vá pra puta que pariu, muleque nojento.

Indo embora, lágrimas escorrendo, derramando, berrando… Astolfo se decide:

- Se não é para ser minha, essa vacona não vai ser de ninguém. Acabar com a vida dessa mulher. Vou acabar com a vida dela.

E mordendo as palavras, como se elas pudesse escapar, morde os próprios beiços, com apaixonada violência.

- Essa velha merece um crime sexual!


(continua……)

Líria – Segunda Parte

•novembro 20, 2009 • 1 Comentário

Então, agora estou de volta ao quarto. O zumbi já foi embora.

– É a última vez Luciano. Você entende? Última vez que a gente transa.

Líria me fala isso olhando fixamente para meus olhos. Os seus tem uma linda coloração que oscila entre o verde e o amarelo. Desnecessariamente aponta o dedo para meu rosto. Toda a coisa tem um tom de ameaça. Eu só penso em como seus seios são duros, e como os desejo senti-los junto a mim.

– Ok. Última vez Líria. Sem problema. Dá pra continuar a viver assim. Só acho meio anticlimático você falar isso agora…

– É só pra você saber. Acho importante que você saiba. É a ultima vez.

Sinto-me automaticamente impotente. Queria acender um cigarro antes de começarmos. Mas acho difícil que Líria aceite essa pausa. Penso que se é a última vez, devo fazer a melhor apresentação da minha vida. Memorável. Mas não sei lidar bem a pressão.

– Ai, para Lu. Você tá muito afoito. Parece um adolescente. Que que tá pegando?

Líria não sabe, mas minha cabeça está longe dali. Mui longe. Penso que não estou sendo afoito. Estou sendo voluptuoso. Isso costumava agradar as moças.

(escrevendo sobre isso, com o distanciamento que o tempo impõe… Tudo muito estranho).

Nelson R. senta na cama. Sendo um escritor morto em 1980 (e meu irmão d´alma) ele é em preto-e-branco. Se bem que toda a atmosfera do quarto está escura.

- Luciano, acho que você devia ir pra casa (acendo um de seus indefectíveis mata-ratos). Na realidade, eu não existo. Disso você sabe, sou só uma representação literária da sua esquizofrenia dormente. Aquele que você queria dialogar, nos muitos momentos em que duvida. Nas muitas horas em que acha que nenhum ser vivo vai te entender. Mas como estamos numa página de ficção, eu posso te aconselhar. Vai embora daqui.

– Nelson, agora não. Dá-me um trago e vai embora (falo isso durante a cópula. Vez em quando percebo um tom de enfado nos lindos olhos de Líria).

- Luciano. Escuta. É importante que você me escute. Você sabe que eu assisti a morte do meu irmão Roberto. Assassinado. Lembra aquela vez em que você sonhou que eu estava ao seu lado, materialmente físico? Então. Naquele sonho eu te contei isso. A morte de Roberto me marcou eternamente. Ver ele baleado, como um cão sarnento… Essas coisas ficam pra sempre.

– Porra Nelson, eu to transando velho! Saí fora. Para de falar em morte, cacete! Tu é mórbido pacas!

- Claro que eu sou mórbido. Você já leu tudo que eu escrevi. Sempre acaba em desgraça. Mas escuta, acho melhor você ir pra casa, e…

-Puta merda! SAI FORA!

Sinto o jorro dormente dentro de meu órgão do sexo, prestes a eclodir. Com um pré medo da vergonha, do medo de decepcionar Líria, o seguro inutilmente.

– Não, pelo amor de Deus, agora não.

– Hahahaha.

Líria solta aquela sua risada sonora, de encher o ambiente. Dá-me um beijo carinhoso.

– É Luciano. Essa sua última vez foi rápida hein?  Pelo menos foi bom pra você?

Paralisado de prazer, simplesmente fico de bruços, e enfio minha cara no travesseiro de Líria. Lembro-me com ternura nostálgica que algumas das meninas da minha vida, sempre elogiavam meu cheiro, que ficava presente em suas roupas de cama. Mesmo depois que eu já era lembrança, há muito tempo.

Peço desculpas a Líria. Ela não entende que seu nome remete a muita coisa. Que ela é ela (e a amei por um momento), e que ela é todas. Vejo-a andar pelo quarto, nua. É muito bela. É bonita pra caralho. Iria vê-la cerca de três dias depois. Quando as coisas estariam muito diferentes. Foi um encontro fortuito, daqueles com a câmera pegando a gente do outro lado da rua, que nem naquele filme do Woody Allen. Indicando que a intimidade (tão rápida!) já havia morrido. Porém, enquanto eu descia as escadas eu tinha certeza que não há veria mais.

Chego ao carro. Cato os bolsos em busca do meu maço. Lembro que o esqueci em cima do criado-mudo do quarto de Líria. Nunca que eu subiria novamente. Peço um dos mata-ratos de Nelson R.

– Porra Nelson, você foi me aparecer no momento mais foda né? Precisava? Hein? Logo que? Logo que?

(aspira profundamente o cigarro. Nenhum homem vivo ou morto já sentiu regojizo igual ao fumar um cigarro).


- Então Lu. Eu to aqui pra ajudar a conduzir essas suas lembranças. Esse negócio de usar um poeta morto pra acompanhar o protagonista é artifício velho. O Dante já usou com o Virgilio, lá no Inferno dele, há mais de quatrocentos anos.

– O que você quer dizer?

- Que a gente deve acender essa beata que você tem no porta luvas, e irmos pra casa. Num próximo capitulo dessa história, nós vamos ter uma nova conversa no Rio, onde deixamos o Fábio e o Carlos Drummond. Mas por enquanto temos que ir pra casa. É lá que está acontecendo a crise que vai motivar a escrita desse texto, daqui um mês.

Nelson acende o baseado. Dá um trago, e me passa a bola. Vou dirigindo, atravesso um pequeno trecho de Avenida Amazonas e volto pela Praça da Assembléia. Voltamos mudos, eu e Nelson, já sabendo o que vou encontrar quando chegar em casa.

Paro o Uno no estacionamento. Caminho como para o abate. Nelson já não está do meu lado. Com a cabeça em Líria, não dou atenção para duas mulheres que começam a mexer comigo. Não tenho paciência para falar com elas. Me acham antipático e vão gritando comigo, durante todo o trajeto até minha casa.

O saguão do prédio está escuro. São cerca de duas da manhã. Decido subir de escada. A subirei e descerei várias vezes ainda essa noite.

Chego em casa, minha mãe está no tanque, lavando um pedaço de pano. Reconheço ser uma camisa regata de meu pai.

-Pô mãe, lavando roupa essa hora da madrugada? Vai dormir mãe.

- Dormir como filho? Seu pai ta passando mal. Seu pai ta passando mal.

(continua…)